Por Eduardo Person Pardini.

Tenho observado (e as pesquisas especializadas têm confirmado) que uma significativa parte de diretores e conselheiros não acreditam que a atividade de auditoria interna tem gerado valor relevante para a organização. Esta percepção vai além de nossas fronteiras, abrangendo corporações sediadas em outros países.
Logicamente, estamos falando aqui somente das empresas que já atingiram maturidade de gestão suficiente para contar com uma atividade de auditoria interna em sua organização. Infelizmente, existe uma grande parcela de empresas que ainda não atingiram este estágio.
Mas quais motivos levam os diretores e conselheiros terem esta percepção?
Um dos motivos mencionados nas pesquisas é que a auditoria interna não tem acompanhado as mudanças ocorridas nos ambientes de negócio onde a empresa esta inserida, pois os auditores estão atuando com um maior foco no micromundo da operação.
A auditoria interna tem concentrado suas avaliações somente para assegurar a conformidade e/ou regularidade, deixando de lado uma avaliação mais voltada ao desempenho operacional, principalmente quanto à eficiência, eficácia e economia dos processos que compõem o ciclo de negócio.
Outro ponto observado é o perfil reativo da auditoria, algumas vezes devido à falta de recursos adequados, outra por não estar alinhada às necessidades estratégicas da corporação. Espera-se uma maior proatividade por parte da auditoria interna.
Tudo isto resulta na percepção de que o custo e benefício de se ter uma auditoria interna não são positivos, isto é, o seu custo não é recuperado através dos ganhos gerados por meio de suas recomendações.
Para que possamos alterar esta percepção é necessário que a auditoria interna observe os oito atributos abaixo relacionados. Neste ponto, precisamos lembrar que a atividade de auditoria é parte do sistema de controles internos da organização, além de ser uma auditoria proativa e voltada ao fortalecimento dos fundamentos da governança, de forma que auxilie a organização para atingir seus objetivos estratégicos.
Vejamos quais são os atributos para que exista uma auditoria interna de alto desempenho:
1) A auditoria deve estar alinhada às necessidades estratégicas da organização. Deve ter uma visão clara do contexto corporativo onde a empresa esta inserida, isto significa: conhecer os requisitos estratégicos de negócio e a dinâmica de seu fluxo financeiro, de geração de resultado e de caixa operacional;
2) Ter uma visão compreensiva dos riscos corporativos, operacionais e estratégicos, para estruturar um plano de trabalho, com base em riscos. De forma que faça a alocação dos recursos da auditoria, que são limitados, nos objetos de maior risco para a organização;
3) Além dos trabalhos de avaliação de conformidade e/ou regularidade, também deve ser feita a avaliação de desempenho dos fluxos de negócios chaves, definidos com base nos riscos inerentes, riscos de fraudes e/ou riscos de TI, com o objetivo de torná-los mais eficientes, eficazes e econômicos;
4) As normas e as melhores práticas de auditoria devem ser observadas e consideradas na condução dos trabalhos. Os auditores devem ter proficiência na aplicação das normas e melhores práticas, direcionando a metodologia e os procedimentos de auditoria que serão aplicados em cada avaliação;
5) Integrar a visão de prestação de serviços nas atividades de auditoria, considerando que os objetivos a serem alcançados pelo trabalho devem ter uma relação custo e beneficio positivos. Em outras palavras, o resultado obtido com o trabalho de auditoria deve ser maior que o custo para realizar a avaliação;
6) A equipe de auditoria deve ser eclética, composta por profissionais com expertise operacional necessária para conduzir a avaliação em todos os processos da organização. Além disso, deve contar com um plano de educação continuada de forma a capacitá-la para atender as mudanças do ambiente corporativo;
7) Ter uma visão de futuro na avaliação dos processos, de forma que os resultados destas avaliações auxiliem a organização a se preparar para as mudanças necessárias para a manutenção dos negócio;
8) A auditoria deve ser o agente de mudança para o fortalecimento da ética e da estrutura de governança da corporação, auxiliando e fomentando uma consciência de riscos, comportamentos éticos, prevenção à fraude e a importância de um bom sistema de controles internos para o sucesso da empresa.
A auditoria interna deve, de forma transparente, ter um papel muito ativo, sem impactar sua independência, no processo de criação e estabelecimento de todos os componentes necessários para um modelo equilibrado de decisão, contribuindo para que a empresa atinja seus objetivos, crie valor às partes relacionadas, de maneira sustentável, contribuindo para sua perenidade.
Eduardo Person Pardini – Sócio principal, responsável pelos projetos de governança, gestão de riscos, controles internos e auditoria interna da Crossover Consulting & Auditing. É diretor executivo do Internal Control institute – chapter Brasil, palestrante e instrutor do IIA Brasil.
Informações à Imprensa:
Bottini Comunicação
Cris Bottini
Tel: 11-98558-8129 / 11-2851-0425
Fontes:
Texto: Bottini Comunicação
(Por Cris Bottini)
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Eduardo Pardini. (Foto: Divulgação)
Por diversas vezes tenho sido questionado pelas organizações (e também pelos auditores) sobre qual é o papel da auditoria interna no processo de ‘compliance’ corporativo. Minha resposta, que algumas vezes cria discussões, é que o papel da auditoria continua o mesmo: fazer a avaliação dos processos de gestão, nada foi alterado.
Entendo que o termo “compliance”, após a promulgação da Lei Anticorrupção, esta mais presente nas agendas da alta administração, contudo nada disso é novo e não deveria causar nem surpresa ou espanto. O que acontece é que as empresas, na figura de seus gestores, sempre deixaram este tema de lado, como também acontece com o sistema de controles internos ou com o processo de gerenciamento de riscos.
Antes de continuar, precisamos entender que, em essência, o termo ‘compliance’ significa estar em conformidade com algum padrão ou critério, que pode ser uma lei, norma, regulamento, política, melhores práticas e qualquer outro paradigma.
Estar em conformidade é uma atitude, não é um sistema, programa ou muito menos uma política especifica. Estar em conformidade é um conjunto de ações que permeia todos os níveis hierárquicos de uma corporação.
A alta gestão participa neste processo definindo as políticas operacionais, incluindo os códigos de ética e conduta, liderando sua aplicação e seu cumprimento. Ela define o “tom” para toda a organização, através do seu irrestrito comprometimento com a ética e com as melhores práticas.
Os gestores e tomadores de decisão devem, por sua vez, nortear as atividades e processos pelos quais são responsáveis, observando a aplicação e o cumprimento das políticas, leis, normas, regulamentos e melhores práticas nas diversas atividades de transação.
Então, fica claro que a responsabilidade sobre o processo de ‘compliance’ é dos gestores e principalmente da alta gestão, não há dúvidas sobre isso!
Outro ponto importante a mencionar é que o sistema de controles internos tem, entre outros, o objetivo de permitir que a organização esteja em ‘compliance’ com leis, normas, regulamentos, políticas e procedimentos. O controle interno é uma resposta ao risco de não conformidade do qual a empresa esta exposta. Lembro que a alta administração e os gestores também são responsáveis pelo gerenciamento de riscos e por esse sistema.
Ou seja, podemos afirmar que a auditoria interna não é responsável nem pelo processo de “compliance”, controle interno ou gestão de riscos corporativos.
Então, qual é o papel da auditoria interna?
Para responder vamos rever, de forma resumida, o conceito de auditoria interna segundo o Instituto dos Auditores Internos (IIA): “Auditoria interna é uma atividade independente e objetiva que tem por finalidade agregar valor à organização, através de trabalhos de avaliação e consultoria. Ela se utiliza de um processo disciplinado e sistematizado para avaliar os processos de governança, gerenciamento de riscos e controles internos”.
Agora fica claro que a auditoria interna tem como objetivo fundamental avaliar se a corporação, através do processo de gerenciamento de riscos, conhece e administra seus principais riscos e se o sistema de controle interno é suficiente para mitigar ameaças operacionais, incluindo os riscos de conformidade.
Nesse contexto, a auditoria interna realiza dois tipos básicos de avaliação: Auditoria de regularidade e de desempenho, também conhecida como operacional.
Na de regularidade, avalia se as transações foram realizadas em conformidade com as leis, normas, regulamentos, políticas e procedimentos. Já na auditoria de desempenho, analisa, com base nos riscos envolvidos, se os processos de transação contam com controles internos para mitigar os riscos inerentes, conformidade, TI e fraude.
Desta forma, posso concluir que o papel da auditoria interna no processo de ‘compliance’ é avaliar se a organização esta realizando a gestão dos riscos e controles internos efetivamente, identificando oportunidades e recomendando as melhorias necessárias.
*Eduardo Person Pardini – Sócio principal, responsável pelos projetos de governança, gestão de riscos, controles internos e auditoria interna da Crossover Consulting & Auditing. É diretor executivo do Internal Control institute – chapter Brasil, palestrante e instrutor do IIA Brasil.
Informações à Imprensa:
Bottini Comunicação
Cris Bottini
Tel: 11-98558-8129 / 11-2851-0425
Fontes:
Texto: Bottini Comunicação
(Por Cris Bottini)
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]]>Em tempos de crise, reduzir custos e aumentar a eficiência são necessidades tanto de grandes quanto de pequenas empresas. Apesar disso, ainda são poucos negócios de menor porte que recorrem à auditoria interna como ferramenta para minimizar a ocorrência erros, desvios ou fraudes.
De acordo com João Góes, proprietário da consultoria empresarial Góes & Associados, a auditoria interna tem por objetivo aprimorar processos e evitar gastos desnecessários, gerando um aumento da rentabilidade do negócio. “No caso dos negócios de menor porte, que normalmente não têm um corpo técnico qualificado e dedicado à administração dos negócios, são grandes as oportunidade de melhorar e qualificar suas operações por meio da auditoria”, afirma.

Auditoria interna tem por objetivo aprimorar processos e evitar gastos desnecessários (Foto: PathDoc / Shutterstock)
Marcus Sperandio, sócio diretor da área de auditoria e consultoria da Assessor Bordin, afirma que uma das principais barreiras para uma adoção desta atividade em maior escala é a falta de conhecimento sobre seus benefícios.
“Tem muito empresário que acha que é algo voltado apenas às grandes corporações e acaba investindo em coisas mais imediatas, como máquinas e equipamentos. Ainda é pequena a preocupação com controle, avaliação de resultados e processos ou aumento de eficiência neste setor”, aponta.
No entanto, João Góes afirma que os honorários da auditoria normalmente são proporcionais ao tamanho e ao escopo dos trabalhos. Além disso, o retorno pode ser exponencial, seja pela recuperação de um crédito tributário não observado ou pela compra desnecessária de um estoque.
Marcus acrescenta que, como os custos para a manutenção de um auditor interno fixo geralmente são elevados para o pequeno negócio, é possível contratar um especialista que visite o local periodicamente, se adequando às necessidades da empresa. A prática é ainda mais recomendada em negócios familiares, onde as relações se desenvolvem na base da confiança, abrindo brechas para a ocorrência de erros ou fraudes.
“Mesmo nos casos onde não há má fé, é comum encontrar neste tipo de empresa um parente que desempenha uma função sem estar capacitado, e ele acaba tomando decisões que prejudicam as finanças. Também é bastante recomendado nos casos que envolvam estoque e circulação de mercadorias, como nas áreas de vestuário e alimentação”, diz.
Por outro lado, nas empresas de serviços, ou naquelas que contam com uma estrutura mais enxuta e o dono está sempre presente na operação, a auditoria interna se faz menos necessária. “Nestes casos, uma boa alternativa é que o proprietário participe de cursos de melhores práticas de gestão, e incorpore por conta própria novos procedimentos e métodos de avaliação”, completa.
Fontes:
Texto: economia.terra.com.br
(Da Redação) Matéria Original:
http://economia.terra.com.br/vida-de-empresario/auditoria-interna-ajuda-a-tornar-pequeno-negocio-mais-eficaz,9b3192775b513773c9f21b7acd6ddfa8wz3w195m.html
Foto: Internet
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