Alguns empreendedores tendem a não confiar que alguém possa tomar conta da sua criação melhor do que eles mesmos.
A palavra confiança tem sido muito mal usada por gurus, consultores e gestores quando eles tentam colocá-la em uma condição fundamental para a prosperidade das empresas. Você, por exemplo, confiaria o conserto do seu carro a um marceneiro? Ou sua saúde a um mecânico?
Sem querer ser injusto com a boa intenção e a moral das pessoas, mas todo sistema social (e isso inclui as empresas) precisa de um mínimo de desconfiança instalado para que as coisas funcionem bem.
Por exemplo, quando você vai procurar um médico, seu lado desconfiado quer saber onde ele se formou, checa referências com amigos… Governos autorizam universidades a formar médicos. E existem órgãos que fiscalizam sua atuação.
Ou seja, nós, como indivíduos e membros de uma sociedade introduzimos a desconfiança para que possamos confiar.
Se não encontrarmos um mínimo de critérios que atenda às exigências da nossa desconfiança simplesmente não confiamos.
E funciona da mesma forma para empreendedores. É comum a crítica de que empreendedores não conseguem confiar nas pessoas que estão na suas empresas e que, portanto, tendem a controlar, aprovar e saber de tudo que se passa nelas.
Eles não confiam que alguém possa tomar conta da sua criação melhor do que eles mesmos.
E no final acabam mantendo pessoas e processos que convivam com essa realidade reforçando esse padrão na cultura de sua empresa.
Como tudo tem que passar pelo empreendedor (e pela sua desconfiança), — ou ele não consegue ver tudo, e a empresa acaba quebrando por ausência de sua atenção (já que ele é um só).
Encontrei muitos empreendedores nessa situação. Na maioria das vezes, quando conversávamos, eles se surpreendiam quando eu afirmava que eles realmente tinham que desconfiar que as pessoas poderiam fazer as coisas de forma certa (esperavam mais um discurso a favor da confiança).
Mas eu deixava claro que a desconfiança tinha que ser transferida dele, como líder, para a gestão da empresa. Ou seja, teria-se que investir em processos, sistemas e indicadores que permitissem que a gestão do negócio cuidasse da desconfiança, e não o empreendedor.
Quando bem transferida, a desconfiança continuará existindo, mas a percepção pelas pessoas se reduz significativamente, já que processos e responsabilidades bem definidas diminuem a necessidade de ter que pedir conselhos e aprovações a toda hora como se elas não fossem capazes de executar por si mesmas.
O primeiro passo nesse sentido é entender como funciona a cabeça do empreendedor. Empreendedores que foram bem-sucedidos geralmente criaram um modelo de negócio que os diferenciam de competidores, ou de alternativas no mercado.
E é muito comum que os empreendedores mantenham os detalhes desse processo consigo já que, até que suas empresas se tornassem bem-sucedidas, eles viveram uma sucessão de erros e acertos que só eles conhecem.
Compreender essa história e o que diferencia o negócio pela ótica do fundador é essencial para se poder desenhar e implementar os processos, sistemas e indicadores que permitirão a execução.
Ao transferir a desconfiança do empreendedor para o sistema, se elimina a dependência ou o gargalo antes na figura do empreendedor e se cria escalabilidade (ou capacidade de replicar o modelo) do negócio. Libera-se potencial!
Mas existem armadilhas nesse caminho e elas estão associadas ao quanto o empreendedor criou vínculos e hábitos emocionais com seu papel. Ele se acostumou a controlar tudo e com o poder que exercia.
Assim, mesmo quando se estabelece processos novos, que representam como ele pensava e agia, frequentemente ele mesmo os desrespeita para impor a sua vontade.
De forma inconsciente, ter que se submeter a um processo, mesmo que definido ou aceito por ele, significa perder sua posição de autoridade e de alguém que sempre estava por cima de tudo.
O fato de as pessoas o procurarem menos (já que agora se baseiam nos processos) representa uma lacuna de atenção que o empreendedor estava acostumado.
Empreendedores aumentam sua autoconfiança na medida em que são mais bem-sucedidos e não se acostumam com a ideia de que alguém pode fazer algo melhor do que ele.
Um outro risco vai pelo lado contrário. Gosta-se tanto da brincadeira de estabelecer regras que se exagera e se cria uma burocracia (o extremo da desconfiança). Burocracia torna a empresa lenta, aumenta a tensão entre indivíduos e a percepção de desconfiança vai a níveis patológicos.
Existe, portanto, um ponto ótimo nesse processo e algumas dicas ajudam a evitar cair na armadilha:
Tenho sido um defensor de conselhos consultivos já que eles, quando bem selecionados, criam um instância para se confrontar o empreendedor e garantir a discussão apropriada de temas relevantes ao futuro do negócio.
Conselhos consultivos são excelentes para garantir que o empreendedor siga no caminho das suas decisões, como a de por exemplo, continuar no caminho da implementação de processos, sistemas e indicadores de gestão.
Muitas vezes um dos conselheiros pode ser a pessoas de confiança do empreendedor a qual ele sente a vontade para discordar e lembrá-lo, de forma indireta, que ele não tem toda a verdade.
Ter consultores de gestão experientes para compreender o empreendedor e ajudar na criação de processos, sistemas e indicadores.
E envolver a equipe na hora de defini-los já que estes têm muitas vezes informações relevantes de como as coisas são feitas na organização.
O aperfeiçoamento da gestão da empresa usualmente implica ter uma estrutura organizacional mais funcional.
O processo de definição de uma estrutura organizacional está intrinsecamente ligada ao desenho de processos.
No artigo “Qual a melhor estrutura organizacional para a minha empresa crescer?” dou dicas de como esse processo pode acontecer que são também úteis para e se criar processos e indicadores que consideram a história e o diferencial da empresa.
Mas também é necessário cuidar do empreendedor. A perda de poder que esse caminho implica, somada a pessoas procurando menos o empreendedor, gera a necessidade de ele mudar o seu comportamento como gestor.
Existe uma transformação de poder, onde este passa de um poder por pura autoridade para um poder exercido por meio de acordos e definições.
Ele não decide mais sobre tudo a toda hora, mas eventualmente. Coaches ou terapeutas podem ser essenciais para ajudar o empreendedor, se ele aceitar.
Se o gestor não se transformar, corre-se o risco de tudo voltar para trás. E a organização, com o passar do tempo, para de acreditar que a transformação é possível.
Isso significa limitar o crescimento e limitar as possibilidades de futuro da empresa. Infelizmente, essa possibilidade ocorre constantemente.
É uma escolha, na maioria das vezes inconsciente, entre a relevância do empreendedor e o futuro da empresa.
Fontes:
Texto: revistapegn.globo.com
(Por Endeavor Brasil)
Foto: Reprodução/Pexels
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Se não deu em 2016, que seja concretizado em 2017. É no ânimo revigorado e na motivação que deve estar o seu espírito empreendedor para entrar com tudo no ano que está começando. E para ajudá-lo a não deixar a peteca cair, vamos dar algumas boas ideias para melhorar a gestão da empresa.
Já é tradição: sempre que um novo ano começa, surgem as promessas, simpatias e resoluções. No âmbito empresarial, o que você pode fazer de diferente para alcançar melhores resultados? Em vez de pular sete ondas, que tal seguir as sete dicas que trazemos para você?
Você teve uma ideia em 2016, achou que era ótima, mas no final foi um fracasso ou quase isso? Conta para a gente: pensou bem antes de colocá-la em prática ou achou que só por que parecia uma boa a sua proposta daria certo?
A não ser por um golpe de sorte, nenhuma estratégia tende a dar certo se não a constrói olhando para o mercado, conhecendo bem seu cliente e os concorrentes. Não esqueça que tudo isso muda muito rápido: o que interessava ao seu público em janeiro passado pode não interessar agora. Abra bem os olhos e estude seus hábitos de compra.
Se nem todos os objetivos traçados para o ano passado foram alcançados, vale se perguntar: onde foi que eu errei? Uma das possibilidades é que apenas você tenha acreditado na meta, o que raramente funciona em uma empresa.
Manter os colaboradores motivados é o que mais aproxima um negócio do sucesso, pois a produtividade costuma ser proporcional à satisfação com que desenvolvem suas tarefas. Dinâmicas, vídeos e treinamentos são ações válidas. Só não deixe de participar diretamente delas.
Quem não se comunica, se trumbica, já dizia o saudoso Chacrinha. E não é que ele tinha muita razão? Olhe para dentro da sua empresa e veja como os processos funcionam (ou não funcionam). Quantas vezes você teve que contornar erros bobos, cuja origem estava em um mal-entendido?
A falta de diálogo entre estoque, vendas e financeiro, por exemplo, provoca ruídos que prejudicam negociações e afetam o faturamento. Para evitar a bagunça, qualificar as ações e deixar todos mais felizes na empresa, adote ferramentas de comunicação interna.
A inovação é etapa importante para o crescimento da empresa. Inovar significa fazer diferente, ser criativo e propor novas formas de abordar antigos problemas. Você pode inovar em produtos, em processos e até no modelo de negócio.
Quem fica parado no tempo não se destaca no mercado, convive eternamente com os mesmos erros e vê seu faturamento se estabilizar em uma zona de conforto, mas pouco lucro. Que tal dar um basta nisso? Pense sobre inovação e tenha disposição para mudar em 2017.
O mercado é competitivo, você sabe. E só se destaca nele quem consegue fazer mais em menos tempo e utilizando menos recursos. A busca por mais produtividade é uma constante em pequenas empresas, já que a eficiência é passagem obrigatória para o sucesso em negócios enxutos.
Mas a que preço? Enlouquecer seus colaboradores com excesso de trabalho não os tornará mais produtivos. Já ser flexível quanto a horários, permitir que trabalhem em home-office quando isso for viável e estabelecer indicadores de desempenho que não desconsiderem a qualidade de vida no trabalho são ações que contribuem para o maior engajamento.
Você ainda faz o controle financeiro manualmente? E o seu estoque, ainda checa os itens nele apenas com uma prancheta em mãos? Como dizia um antigo comercial de tv, está na hora de rever seus conceitos.
Planilhas e outros documentos em papel são úteis na fase embrionária do negócio, quando um mínimo cuidado de gestão é melhor do que nenhum. Mas 2017 chegou e não dá para ficar preso no passado.
Você precisa adequar seus processos ao mundo digital, utilizando ferramentas online, que trazem diferenciais como o armazenamento na nuvem e o acesso por dispositivos móveis. É dessa forma que você deve realizar o fluxo de caixa, conciliação bancária, cadastro de clientes e emissão de nota fiscal, entre outras tarefas de gestão.
O empreendedor tem no contador o seu principal parceiro para o sucesso do negócio. Se você esqueceu dessa lição no ano passado, não repita o erro em 2017.
Há quem desconsidere esse suporte e veja o profissional de contabilidade como aquele que está na empresa para lembrá-lo de fazer a parte chata e não operacional. É claro que você prefere vender, produzir e executar do que calcular impostos e registrar receitas e despesas. Mas quanto tempo o negócio sobreviveria sem um controle financeiro?
Adote esta dica final como sua resolução de Ano Novo: ouça seu contador, tire com ele as dúvidas sobre as obrigações acessórias da empresa e aposte nas melhores práticas de gestão. Se na hora da tempestade esse suporte o mantém em pé, quando o sol voltar a brilhar ele será decisivo para você decolar.
Este artigo trouxe algumas ideias para melhorar a gestão da sua empresa em 2017. Acreditamos que as dicas sejam úteis para que os resultados alcançados neste ano possam ser melhores, aproximando você das metas propostas.
Embora não exista uma receita única para quem persegue o sucesso nos negócios, não há grandes segredos: é preciso trabalhar, se dedicar, refletir, analisar e planejar.
Como recado final, vale a recomendação para que você se assuma como o gestor que a empresa necessita, qualificando os processos, promovendo ajustes, oferecendo condições e um ambiente produtivo e acompanhando de perto os resultados. Está na hora de arregaçar as mangas!
Fontes:
Texto: blog.contaazul.com
(Por Anselmo Massad)
Foto: Divulgação
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