
BC mantém juro básico em 14,25% e reforça que não há espaço para cortes
BRASÍLIA (Reuters) – O Banco Central manteve nesta quarta-feira a taxa básica de juros em 14,25 por cento ao ano em decisão unânime e em linha com expectativa dominante de especialistas, repetindo não haver espaço para corte nos juros tão cedo, na primeira reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) sob o comando de Ilan Goldfajn.
“Tomados em conjunto, o cenário básico e o atual balanço de riscos indicam não haver espaço para flexibilização da política monetária”, informou o BC em comunicado com novo formato, mais extenso e pelo qual apontou riscos para o cenário de inflação, entre os quais a permanência de “incertezas quanto à aprovação e implementação dos ajustes necessários na economia”.
O BC também salientou que a inflação acima do esperado no curto prazo, em boa medida decorrente de preços de alimentos, pode se mostrar persistente, e que um período prolongado com inflação alta e com expectativas acima da meta pode reforçar mecanismos inerciais e retardar o processo de desinflação.
Por outro lado, chamou atenção para fatores que, se concretizados, podem ajudá-lo na tarefa de combater a alta de preços na economia.
“Os ajustes na economia podem ser implementados de forma mais célere, permitindo ganhos de confiança e reduzindo as expectativas de inflação; e o nível de ociosidade na economia pode produzir desinflação mais rápida do que a refletida nas projeções do Copom”, trouxe o comunicado.
Pesquisa Reuters mostrou que 42 de 43 economistas consultados previram que a Selic não seria mexida agora, com avaliações de que o Copom sob a batuta de Ilan poderia reforçar o tom mais duro na condução da política monetária.
Com a decisão, a Selic segue no mesmo patamar desde julho de 2015, o mais alto em quase uma década e no período mais longo de estabilidade desde que o regime de metas foi implantado em 1999.
Ilan já vinha reforçando que o objetivo do BC é fazer com que a inflação encerre este ano dentro da meta –de 4,5 por cento pelo IPCA, com margem de dois pontos percentuais– e que caia para o centro do objetivo em 2017, quando a banda de oscilação foi estabelecida em 1,5 ponto.
De modo geral, especialistas acreditam que o movimento de corte da Selic deve começar apenas em outubro, o que levaria o Copom a repetir a manutenção da taxa no encontro de agosto.
Em 12 meses até junho, o IPCA acumulava alta de 8,84 por cento.
No comunicado, o Copom informou que projeções sobre a inflação permaneceram “relativamente estáveis nos horizontes relevantes para a condução da política monetária desde sua última reunião”, mas caíram sobre os números divulgados no último Relatório de Inflação. No cenário de referência, completou o BC, a projeção para a inflação de 2017 encontra-se em torno da meta de 4,5 por cento.
Economistas, por sua vez, estimam que esse avanço do IPCA será de 5,3 por cento em 2017, conforme pesquisa Focus mais recente.
Fontes:
Texto: Reuters
(Por Marcela Ayres)
Foto: Internet
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